10 iniciativas de jornalismo independente na América Latina

O que podemos aprender com o jornalismo independente da América Latina

O Brasil nunca soube valorizar os vizinhos latinos. Sempre tivemos um certo preconceito com bolivianos, colombianos e até mexicanos. Mas basta uma espiada mais cautelosa para os outros países da America Latina para descobrirmos que podemos e devemos aprender muito com eles.

No jornalismo, por exemplo, eles já descobriram que a internet é o caminho mais curto para se livrar da censura de regimes ditatoriais e autoritários. Fizemos uma lista no melhor estilo BuzFeed para mostrar pra você modelos inspiradores de veículos independentes por lá, a maioria, exclusivamente digital. Aqui está apenas uma pequena parcela deles, porque todos não caberiam em um único post. Como o espanhol não é nenhum bicho de sete cabeças para nós, convido você a abrir cada um dos links e explorar o conteúdo dos nossos colegas periodistas!

  1. Animal Político – México

Animal Político

Fundado em 2010 foi um dos primeiros veículos digitais do país e é, sem dúvida, o mais influente. O projeto começou como uma conta no Twitter (Pájaro Politico), criada em 2009. O sucesso foi tão grande que a conta se tornou um site de notícias. É mantido por anunciantes, campanhas de crowdfunding e investidores.

O foco do site, claro, são as notícias políticas, mas há espaço para assuntos gerais e até um pouco de humor. Apesar do grande alcance, a redação é composta por apenas seis jornalistas. O site publica conteúdo próprio e também faz curadoria. Tem forte presença nas mídias sociais e investe em conteúdo multimídia, com fotos, vídeos e infográficos. Recentemente lançou um novo site para ampliar a audiência e a renda: o Animal Gourmet.

  1. Ciper (Centro de Investigación Periodística) – Chile

Puertagiratória

É uma organização sem fins lucrativos fundada em 2007 com o objetivo de fazer reportagens investigativas sobre temas variados de interesse nacional. Ganhou destaque com matérias de denúncia sobre integrantes do governo, sempre bem respaldadas por documentos. É financiado em sua maior parte pelo grupo COPESA, um conglomerado de mídia chileno. Também recebe apoio de universidades e fundações internacionais.

Em 2014, lançou o projeto “La puerta giratória del poder”, um compilado de informações sobre mais de 400 funcionários com importantes cargos públicos no Chiel. Clique no link e visite o site – vale a pena! A forma com que eles trabalham o jornalismo de dados é uma escola para nós. Os gráficos, a interação, a conexão entre a administração pública e as empresas privadas são didáticas e fascinantes.

  1. Chequeado – Argentina

Chequeado

Não é uma ideia totalmente nova, mas ainda assim é fantástica! Usa algo a que todos temos acesso: os discursos. O Chequeado é um verificador de discursos públicos de autoridades, jornalistas e empresários. Fundado em 2010 por três jornalistas, hoje tem oito pessoas na equipe, todos com menos de trinta anos. Também conta com a participação de voluntários.

Os profissionais selecionam frases de pessoas importantes, analisam a relevância da informação e então fazem a checagem dos dados com várias fontes. Ainda tem uma audiência modesta, mas já conquistou prêmios importantes de inovação. É financiado com doações, colaboração internacional e organização de eventos. Já inspirou ideias semelhantes no Brasil, trazendo seu modelo de verificação para o Preto no Branco, do Globo, e o Truco, da Agência Pública.

  1. La Silla Vacia – Colômbia

SillaVacia

Fundado em 2009, é focado em política e jornalismo investigativo. La Silla Vacia ou a cadeira vazia, em português, é financiado pelo Open Society Foundations e também recebe verba de anunciantes e doações. O modelo de negócios é tão flexível que a empresa ainda oferece serviços como cursos, oficinas e consultorias de comunicação.

O visual é moderno e o site é bem interativo. O conteúdo é forte e está sempre investigando e questionando as relações de poder na Colómbia.

  1. El Faro – El Salvador

ElFaro

O El faro se autodenomina o primeiro jornal da América Latina nascido na internet. Foi fundado em 1998, uma época em que o jornalismo ainda não era tão digital, nem o mundo! As atividades do site começaram logo após uma guerra civil e com foco em reportagens investigavas. Deu pra sentir o tamanho do desafio?

Desde a fundação até 2003 o El Faro não ganhou um centavo. Foi erguido pelo trabalho voluntário e apaixonado dos jornalistas fundadores. Depois deste período, o veículo conquistou apoio de organizações internacionais, que correspondem a 75% da fonte de renda do veículo. Hoje os jornalistas buscam diversificar este modelo, vendendo anúncios e conteúdo multimídia para outros veículos. Internautas também podem ajudar com doações. Das 31 pessoas que compõe a equipe, 21 são jornalistas. E tudo isso em um país onde apenas 19% da população têm acesso à internet.

  1. La Mula – Peru

LaMula

Fundado em 2009, o site peruano é uma plataforma aberta que permite aos cidadãos publicar conteúdo relevante. O usuário faz um cadastro e usa a plataforma como uma espécie de blog. O endereço é o seu nome, o nome do seu blog seguido de lamula.pe. O site também tem matérias próprias e faz curadoria. Um selo editorial para produção e venda de conteúdo ajuda a manter a plataforma.

Muitos historiadores, antropólogos e jornalistas têm seus blogs na plataforma e acabam tendo uma grande influência na vida e na política do Peru. Podemos chamar La Mula de “jornalismo cidadão” – quando uma plataforma dá voz e apoio à sociedade para expressar suas ideias.

  1. Plaza Pública – Guatemala

Plazapublica

O site foi fundado em 2011 por uma universidade (Universidad Rafael Landívar) e tem matérias investigativas e analíticas. É financiado quase 70% pela universidade e o restante por fundações internacionais. 16 pessoas trabalham para o veículo, entre jornalistas, administradores e profissionais de tecnologia.

Aposta na inovação tecnológica com conteúdo interativo e moderno. Jogos ajudam a audiência a entender melhor temas complexos como a renovação do congresso. Mesmo os infográficos são apresentados de forma inovadora, como este aqui, que mostra um conglomerado de empresas com histórico de denúncias e irregularidades diversas.

A Guatemala, marcada por terremotos, pobreza, crises políticas e pela guerra civil, tem visto uma atuação mais marcante da imprensa, principalmente no último ano. E os meios digitais tem grande responsabilidade nesta mudança.

  1. Confidencial – Nicarágua

Confidencial

A revista semanal impressa circula desde 1996 e hoje tem uma circulação pequena (1000 exemplares). A versão online foi criada em 2010 e tem um tráfego mensal de 250 mil visitantes.

Produz conteúdo multimídia e faz parcerias com emissoras de TV. Não é um site focado exclusivamente em jornalismo investigativo e temas políticos, tem espaço para cultura e generalidades. É financiado basicamente por anúncios.

  1. Revista Anfíbia – Argentina

RevistaAnfíbia

Os custos são cobertos basicamente pela Universidad de San Martín. A revista eletrônica foi criada em 2012 para explorar o jornalismo literário. Não tem muito conteúdo interativo, mas explora muito a fotografia. A interface moderna ajudar a deixar a leitura mais agradável. Os temas passam por cultura, política, economia e ciências.

  1. Sudestada – Uruguai

Sudestada

O mais recente da nossa lista, foi fundado em 2014. Dedicado ao jornalismo de dados e investigativo, o Sudestada tem diversas opções interativas. O “Quien paga”, por exemplo, mostra ao usuário a origem e a quantia em dinheiro que receberam os partidos políticos para o financiamento da campanha eleitoral.

É financiado por insituições internacionais, e ainda procura um modelo de negócio mais sustentável.

Conhece alguma que não citamos aqui e você acompanha? Deixe nos comentários!

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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