Como será sua biografia aos 90 anos?

Demoramos muito pra perceber como a vida passa rápido. Aí entramos na casa dos trinta já meio desesperados porque tudo aquilo que sonhávamos ter ou ser, ainda não se realizou. Talvez não tenhamos sonhado o sonho certo, embora eu não acredite em certo ou errado. Talvez nossos sonhos tenham mudado, embora seja difícil reconhecer os novos desejos.

Então chega o momento daquele estalo. A hora em que abrimos os olhos de verdade e nos vemos presos a uma realidade que antes parecia um destino certo e agora não faz mais sentido. Para muitos de nós, a fórmula faculdade-trabalho-casa-família tem dado sinais de incompletude. Era óbvio quando éramos jovens, mas hoje alguma coisa na receita não encaixa.

Foto: Rebecca Li

Foto: Rebecca Li

A fase que se segue é de reflexão, mas também de uma dor muito grande. A dor de perceber que não sabemos mais que modelo seguir, que caminho escolher. A dor de saber que talvez não exista um modelo para acompanhar, porque é preciso criar nosso próprio caminho. Quando estamos envoltos com estas perguntas surgem duas opções: mergulhar em novas ideias, de mente aberta para encontrar respostas, ou se render ao medo e continuar na velha fórmula, que afinal, funciona para muita gente.

Foto: Toa Heftiba

Foto: Toa Heftiba

Para nós, jornalistas, que costumamos ter uma rotina acelerada, conhecemos pessoas diferentes o tempo todo e tratamos de assuntos que vão de política a cultura em alguns minutos, a dor pode ser mais discreta. Apegados à adrenalina do jornalismo, ignoramos os sinais de que é preciso mudar e deixamos novamente o tempo passar. E eu entendo. Não é fácil deixar o tradicional para buscar alternativas que pouca gente conhece ou experimentou. Apaixonados pelo jornalismo, nos conformamos com as péssimas condições e seguimos, muitas vezes acreditando que nosso tempo passou.

Continuamos preocupados com o rápido passar das horas, mas ansiamos pelo fim de semana sem plantão. Estamos assustados com a velocidade com que avançam os trinta, mas odiamos a segunda-feira. Contraditórios, vamos empurrando as notícias, os plantões e os personagens com a barriga. Mais uma pauta sobre inverno, mais uma pauta sobre festa junina, mais uma pauta sobre material escolar. O tempo passa, se repete e nós apenas assistimos.

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Mas se a dor voltar e ficar insuportável, podemos escolher a segunda opção. Podemos abandonar as antigas crenças, os velhos formatos desatualizados e ousar. Ousar fazer de outro jeito. Não precisa começar de forma drástica, pedir demissão e abrir um blog. Podemos iniciar devagar. Trocar o lead das baixas temperaturas por uma história mais humana e criativa. Mostrar a festa junina sob o olhar do caipira ou a compra de material escolar pra quem não tem dinheiro nem para um lápis.

Foto: Teddy Kelley

Foto: Teddy Kelley

Depois de exercitar a criatividade na velha rotina, aí podemos ir mais longe. Começar nossos próprios projetos, realizar os sonhos de antes, que agora estão transformados. E não adianta achar que as respostas serão fáceis. Elas virão, mas acompanhadas de novas perguntas. Perguntas que vão nos levar a um caminho com mais propósito e menos dor. Escolhas que nos farão acreditar novamente que ainda temos tempo e precisamos aproveitá-lo, a partir de agora.

Se você tem dúvidas sobre quais são seus sonhos, recomendo um exercício excelente que fiz durante minhas sessões de coaching: “the rocking chair”, ou “a cadeira de balanço”.

Imagine-se sentado em sua cadeira de balanço, com rockingchair
90 anos de idade. Feliz e realizado, comece a descrever como a sua vida foi maravilhosa. Pegue um papel e uma caneta e, ainda se imaginando com 90 anos, complete a frase: “Eu tive uma vida extraordinária! Eu… “

Depois deste exercício os seus reais sonhos e aspirações ficarão bem mais claros, então é só decidir realizá-los!

 

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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