Jornalista encontra no freela maneira de ser dona da própria carreira

Ela se formou há seis anos. Na época, a exigência do diploma estava em xeque, a velha mídia acentuava sua decadência e as agências de comunicação também já sofriam com as mudanças do meio. Ainda assim, iniciou a carreira em um jornal impresso como repórter de veículo diário e passou por assessoria de imprensa. Apesar do impresso ser sua paixão, logo percebeu uma grande afinidade com gestão e marketing, por isso tornou-se coordenadora de conteúdo em uma empresa de internet, onde permaneceu até abril deste ano.

Vivendo de Freela

Luciane Costa – jornalista e fundadora do Vivendo de Freela

Atenta as transformações do mercado Luciane logo entendeu que a ideia de voltar para o impresso não era a melhor alternativa. Como também é apaixonada por conteúdo digital resolveu tornar-se freelancer, para complementar a renda, e acabou descobrindo que adora trabalhar assim. Foi além, ao ver oportunidades crescentes na produção de conteúdo digital não teve dúvidas: decidiu compartilhar isso com os colegas jornalistas e, para tal, criou o blog Vivendo de Freela.

“Todo o processo de criação do blog foi muito rápido, menos de um mês depois de ter tido a ideia ele já estava no ar. A ideia inicial era ter um canal de conteúdo que ajudasse freelancers como eu a terem sucesso nesse tipo de carreira, sem precisar trabalhar em um emprego tradicional.” Conta Luciane.

O Vivendo de Freela é um canal de conteúdo voltado para profissionais de diferentes áreas que são freelancers ou que desejam seguir esse tipo de carreira, segundo Luciane. A ideia da fundadora é reunir em um só lugar dicas sobre como encontrar trabalhos, como se formalizar, como ser mais produtivo, entre outros temas. Além do blog, o projeto tem uma fan page no Facebook e um grupo recém criado no Linkedin, chamado Freelancers – Vivendo de Freela, para compartilhamento de oportunidades.

Site VivendoFreela

A iniciativa também é o grito de liberdade de Luciane. É vivendo de freela que ela encontrou uma maneira de ser dona da própria carreira, de poder escolher e ter mais autonomia sobre os projetos que vai se envolver. Ser responsável pelo próprio crescimento e ter influência direta no quanto vai receber no fim do mês! Embora já existam canais de conteúdo voltados para esse nicho, a jornalista acredita que valha a pena apostar.

“O mercado de freelancers está crescendo cada vez mais rápido e não é só por causa da crise, tem muita gente infeliz em seus trabalhos buscando uma forma de realizar-se profissionalmente, sem abrir mão da vida pessoal. Decidi ajudar de alguma forma nessas discussões!”

Luciane é a idealizadora do projeto mas também conta com alguns colaboradores, que têm contribuído com dicas e a divulgação do projeto. Aliás, ela avisa que o canal é aberto a todos que quiserem contribuir com conteúdo e dicas sobre como viver de freela. Em dois meses o blog teve quase 3 mil acessos e muitos feedbacks positivos. O conteúdo tem ajudado muitos jornalistas, principalmente quem está no início da carreira.

luciane

Luciane Costa / foto: arquivo pessoal

Hoje, o blog ainda não é a fonte de renda principal de Luciane. No entanto, ela já abriu o site para anúncios e esta estudando outras formas de monetizar. O bacana é que, de forma indireta, o projeto tem rendido novos clientes para ela, servindo como portfólio de seu trabalho como freela.

Sobre o momento da profissão? Luciane é certeira!

Fica incomodada e se entristece sempre que escuta colegas de profissão falarem que o jornalismo está morrendo. Ela própria mudou o rumo da carreira mais de uma vez para buscar algo que a fizesse feliz profissionalmente e ao mesmo tempo a sustentasse. Sabe que pode mudar de novo e vê isso como positivo.

Para ela, em vez de ficar reclamando que não existe emprego por causa das demissões em massa nos jornais, é preciso aprender a escrever para a internet, testar conteúdo em outras mídias, falar outros idiomas! Luciane acredita (eu também) que as pessoas continuam buscando informação e demanda para o trabalho de jornalista não falta. Basta que o profissional aceite mudar!

“Não é fácil empreender, mas também não é um bicho de sete cabeças. Acho que perdemos muitas oportunidades por simplesmente não tentar ou por nos agarrarmos à ideia de que o dia a dia ideal para o jornalista deva seguir as mesmas práticas de 50 anos atrás.”

 

Como leitura inicial no Viver de Freela sugiro o post “O que fazer para começar a viver de freela”

VVF

About The Author

ViRachinski

Inconformada com o conformismo...empenhada em evoluir...adora discutir, no melhor sentido da palavra. Filha de Ivo sábio e Diva guerreira, mãe de Francisco, só o nome já explica. Jornalista, montanhista e em busca de novas trilhas!!!

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