Jornalista mineiro cria sua própria agência de notícias

Criar uma agência de notícias fora do eixo Rio-São Paulo pode não parecer uma boa ideia para o jornalismo tradicional. Mas para quem quer se reinventar, o tradicional não serve. Por isso o jornalista mineiro Anderson Gonçalves criou a Valinor.

Há mais de um ano no mercado, ele emprega sete redatores fixos em Belo Horizonte e ainda tem dezenas de jornalistas e fotógrafos freelancer espalhados por Minas Gerais. A ideia de produzir e vender conteúdo no interior no estado veio da observação atenta ao mercado.

“Certa vez eu vi uma matéria esportiva sobre um clube de futebol mineiro, publicada em um jornal do interior. O material foi comprado da Agência Estado, de São Paulo. Fiquei me perguntando por que ele não podia comprar esse mesmo material de uma agência daqui”, explica Anderson.

 

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Identificada a lacuna, o jornalista passou dois anos pesquisando alternativas e modelos de negócio até criar a Valinor, uma agência de notícias e conteúdo que fornece material para veículos do interior de Minas e também para empresas. “Um texto meu sobre esporte pode ser consumido por dez veículos diferentes. No tratamento que ele for dar na linha editorial dele, a gente não interfere. As informações, a apuração, os dados estão lá.”

No site da agência, o cliente faz um cadastro e compra créditos. A partir daí ele vai consumir a quantidade de notícias que desejar, pelo período que quiser. Hoje, Anderson já consolidou uma carteira de clientes, entre pequenas rádios, jornais do interior de Minas e grandes veículos como Agência o Globo, FolhaPress e O Dia. Além disso, faz produção de conteúdo para empresas sob demanda. O negócio já se mantém e em 2017 ele pretende fazer investimentos na automatização do sistema.

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Equipe da Valinor – em dia de happy hour

O jornalista quer expandir a agência para outros estados do país e procura parceiros para a empreitada. “Temos um sistema pronto, que pode ser facilmente adaptado a qualquer realidade regional. O interior de São Paulo e do Rio, por exemplo, são grandes polos econômicos. Até no interior do Paraná podemos encontrar clientes que precisam de conteúdo local”.

Como muitos jornalistas que acompanham o Reinventa, Anderson empreendeu porque começou a questionar os rumos da profissão. Com passagens por veículos como Lance!, O Tempo e Super Notícia, além de sólida experiência em assessoria, o mineiro sentiu que os modelos atuais de negócio na mídia tradicional já não se sustentavam mais. “O jornalista experiente é muito caro para os veículos, eu fiquei caro para os jornais.”

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O empreendedorismo não é o caminho mais fácil, mas é um caminho possível, como mostra o exemplo de Anderson. Novos modelos são testados a todo momento e muitos se mostram viáveis. É nossa missão, como jornalistas, buscar soluções para atender a demanda, que continua a existir. Os leitores apenas mudaram a forma de consumir informação e conteúdo, e os grandes conglomerados de comunicação não compreenderam isso ou não conseguiram transformar o modo de atuar.

Por isso colegas, em vez de ficar reclamando da profissão e apenas assistir às mudanças de uma era, sem escrever alguns capítulos dessa nova história, vamos fazer, testar, tentar, colocar projetos em prática, realizar nossos sonhos e criar uma nova realidade. A internet está aí para ajudar nesta tarefa. E sabe qual a melhor parte de tudo isso? A disposição, a força e a coragem que temos quando estamos fazendo algo que queremos e em que acreditamos muito!

“A maior característica de um novo modelo de negócio que surge é a vontade de aplicar, o ‘vamos tentar, vamos fazer’. Nos modelos tradicionais é ‘vamos ver a possiblidade…’ ” Anderson Gonçalves

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Anderson Gonçalves – fundador da Valinor

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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