Repórter de Rua: as histórias que a grande mídia não conta

O coletivo de jornalismo independente do Rio Grande do Norte 

Dar voz e espaço para gente e comunidades do Rio Grande do Norte que não têm oportunidade e nem vez na grande mídia. Revelar ao mundo que sim, e infelizmente, o trabalhador brasileiro continua sendo desrespeitado. Um drama que parece longe do fim, mas que se depender do Repórter de Rua não ficará silenciado. Assim nasceu esse coletivo de jornalismo independente do nordeste que, com apenas dois anos de existência, já coleciona prêmios de reportagem.

José Bezerra e Esdras Marchezan recebem prêmio MPT de Jornalismo

Jean Lopes recebe prêmio MPT de Jornalismo

Esdras Marchezan, João Magagnin, Glaudson Alcantara e José de Paiva Rebouças recebem prêmio BNB de Jornalismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tudo começou com o jornalista Esdras Marchezan. Ele sempre gostou de reportagens aprofundadas e procurava conciliar essa predileção nas redações de jornais por onde passou. Depois que também se tornou professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e à medida que mergulhava na academia, o jornalista conta que “sentia cada vez mais falta de ir à rua, ouvir das pessoas as histórias que não via nos jornais do estado”. Foi aí que nasceu a ideia de criar um coletivo jornalístico focado em reportagem de profundidade, que também ganhou a experimentação de novos tipos de narrativas para o webjornalismo, um “extra” agregado da linha de estudo do professor na universidade.

Esdras Marchezan em campo

Para realizar a ideia, primeiro Esdras reuniu dez amigos e colegas jornalistas, fotógrafos, produtores audiovisuais e alunos do curso de Comunicação Social da UERN. Entre o desejo de empreender independente, o planejamento e a ideia concretizada foram cerca de dois anos. Em dezembro de 2013 o grupo coloca no ar o site Repórter de Rua. Com foco na temática social e a missão de apurar e publicar histórias silenciadas na mídia tradicional, “o coletivo de jornalismo abre espaço para vozes sufocadas pelos grandes grupos de comunicação”, afirma o idealizador.

Esdras Marchezan conversa com personagens do especial Bravos Foto- Jean Lopes

Esdras Marchezan conversa com personagens do especial Bravos / Foto Jean Lopes

A primeira grande reportagem do coletivo abordou a rejeição de comunidades nordestinas ao projeto de irrigação Santa Cruz do Apodi, uma obra do governo federal no Rio Grande do Norte. Clique na imagem abaixo e veja a produção multimídia primorosa sobre a resistência dos produtores familiares daquela região ao programa de fruticultura irrigada. Material em texto, áudio e vídeo, concebido de um jeito inovador e muito atrativo.

Resistência em Palmares

Além da liberdade editorial, no Repórter de Rua preza-se também pelo tempo de produção das reportagens, a vivência do assunto, algo escasso nas redações convencionais, seja de grupos privados ou públicos. Esse diversificado coletivo de profissionais também se dedica a experimentar diferentes narrativas na internet, como citei acima. Uma busca por descobrir novas formas de contar histórias para esse novo público do jornalismo digital. Basta entrar no site para perceber a cruzada criativa travada pelo coletivo.

Garimpeiros / Foto José Bezerra

Jean Lopes fotografa personagens do especial Bravos / Foto Esdras Marchezan

Com quatro grandes reportagens e pouco mais de dois anos no ar o Repórter de Rua já é conhecido em cursos de jornalismo de diferentes universidades, em grupos de discussão de jornalismo independente e ganhou algumas das mais importantes premiações do jornalismo nacional. Durante dois anos consecutivos o coletivo recebeu o prêmio Massey Fergusson de Jornalismo, do Ministério Público do Trabalho. Conquistou ainda o prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo e o prêmio do Tribunal Regional do Trabalho, por dois anos consecutivos também.  Além de chegarem a final de outras premiações do setor.

Garimpeiros / Foto José Bezerra

O coletivo teve um artigo selecionado no 8º Foro Internacional de Periodismo Digital, de Rosário, na Argentina. Ainda em 2015 o material fotográfico da segunda grande reportagem do Repórter de Rua – Bravos – produzido pelo fotógrafo Jean Lopes, foi o vencedor da 21ª edição do Concurso Latino-americano de Fotografia “Los trabajos y los dias”. Uma premiação notável para os fotógrafos da América Latina.

Esdras Marchezan conversa com personagens do especial Bravos / Foto Jean Lopes

A esta altura você deve estar se perguntando sobre a monetização do projeto. O Repórter de Rua já se mantém? Esse é o próximo passo do coletivo: estudar melhor e transformar a iniciativa em um bom modelo de negócio para o jornalismo, que permita a manutenção do veículo e a sobrevivência dos profissionais que o integram. Hoje, todas as despesas de trabalho são pagas pelo grupo.

Garimpeiros / Foto José Bezerra

Garimpeiros / Foto José Bezerra

Entre as linhas que o Repórter de Rua tem estudado está o financiamento coletivo. Leis de incentivo, editais e até empresas que não interfiram na linha editorial também são alternativas consideradas pelo coletivo. A troca de informações com iniciativas independentes, já consolidadas, tem ajudado a desbravar esse novo mundo.

Apresentação do Repórter de Rua no Canal Futura

Apresentação do Repórter de Rua no Canal Futura

A equipe já sentiu que a independência financeira e editorial proporciona ao Repórter de Rua muito mais respeito e cumplicidade por parte de suas fontes. Um trabalho precedido por ética e transparência que tem encantado todos os envolvidos, que têm consciência de como o trabalho funciona. Hoje todos têm outro trabalho fixo, mas a meta é transformar o Repórter de Rua em um laboratório para novos profissionais.

Jornalismo Independente

Para o idealizador da iniciativa, o envolvimento dos coletivos que estão trabalhando pelo jornalismo independente pode ajudar a encontrar novos caminhos, viabilizar esse segmento e fortalecê-lo. Sem deixar de lutar também pela democratização da informação, sempre. “Acredito que o modelo de negócio do jornalismo a que estávamos acostumados está falido. Quem quiser se adequar a este novo momento tem que entender bem este novo público, escutá-lo e saber o que e como eles querem ler, ver e ouvir”, afirma Esdras Marchezan.

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About The Author

ViRachinski

Inconformada com o conformismo...empenhada em evoluir...adora discutir, no melhor sentido da palavra. Filha de Ivo sábio e Diva guerreira, mãe de Francisco, só o nome já explica. Jornalista, montanhista e em busca de novas trilhas!!!

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