Ilustração de uma uma menina no pódio

SEO para jornalistas Parte II – On page e Off page

Se você ainda não leu o artigo SEO para jornalistas: sem preconceito, recomendo que dê uma espiada nele antes de se aprofundar na parte II. Mas se você já viu e estava ansiosamente esperando pelas dicas práticas de SEO on page e SEO off page, seja bem-vindo e boa leitura!

SEO on page

O SEO on page está ligado a tudo o que está dentro da sua página ou site. Aqui incluímos, não apenas o conteúdo, que é responsabilidade direta do jornalista, mas também alguns aspectos ligados à programação e web design. Mesmo assim, é importante que você os conheça.

“O melhor dos mundos é quando o jornalista consegue compreender todas as variáveis que a otimização contempla. Aquilo que implica a otimização nos códigos, em havendo programadores para fazê-lo, pode ser deixado com a tecnologia, mas é importante que o jornalista tenha conhecimento para fiscalizar a correta aplicação das técnicas de SEO em titles, metatags etc. No que envolve a produção dos conteúdos e a classificação desses conteúdos, o jornalista deveria ter na descrição da sua função essa tarefa bem descrita.”

Sérgio Lüdtke, jornalista e consultor em mídias digitais

Usabilidade e arquitetura da informação

Os critérios não são apenas o conteúdo, mas também a usabilidade do site. O seu site ou o site em que você trabalha leva o internauta facilmente aonde você quer? Para isso, é preciso definir o objetivo da página (também chamado de conversão). Você quer que o visitante deixe o e-mail? Quer que ele compartilhe a notícia? Ou que ele recomende o artigo para um amigo? Ou ainda que ele compre um produto? Seja qual for o objetivo, deve ficar claro e fácil para quem navega.

Não, isso não depende do jornalista, se você tem um web designer para trabalhar. Mesmo assim, é bom saber que a facilidade para usar o site tem peso no ranking do Google e sempre que você encontrar algum problema, pode reportar aos responsáveis pelo layout ou pela programação do site. Tudo faz parte do SEO. A usabilidade inclui também fazer como que suas páginas sejam fáceis de navegar e de serem visualizadas em outros dispositivos como celular ou tablet. São os chamados sites responsivos. Em 2015 o Google anunciou uma mudança no algoritmo  que privilegia sites responsivos na pesquisa.

Smart-Idea1Dica: aprenda a usar o Google Analytics. Ele é essencial para que você conheça o público e como ele usa o site. A partir dessas informações você pode buscar melhorias no SEO e em vários aspectos das suas páginas e matérias.

 

O jornalista também pode ajudar na categorização do conteúdo. Sabe quando você entra em site, procura a aba “região”, depois a aba “sudeste”, vai para o “Rio de Janeiro” e procura pela sua cidade”? Este caminho precisa ser lógico e fácil. Todo mundo já desistiu de navegar em um site porque não conseguia encontrar o conteúdo desejado. Por exemplo: você procura uma receita de pudim de leite condensado e ela foi categorizada como “receitas com leite” em vez de “sobremesas”. É um exemplo de SEO ruim que vai dificultar a busca do usuário.

John Travolta perdido no site

O internauta precisa saber o que fazer e para onde ir no site. Não o deixe perdido.

A velocidade de carregamento também é importante para colocar o site no topo das pesquisas. Hoje, ninguém tem tempo para esperar muito para encontrar a informação que deseja na internet. Pesquisas dizem que 40% das pessoas abandona um site que demora mais de três segundos para carregar. Parece absurdo, mas experimente clicar em um link e contar até três enquanto a página carrega! É claro que este fator também depende da conexão de quem acessa, mas uma série de fatores na sua página pode interferir, como o tamanho das imagens e a capacidade do seu servidor.

Palavras-chave

Este é o primeiro passo para a otimização do conteúdo. Você precisa saber o que e como as pessoas estão buscando seu material. No caso de notícias, se o assunto do dia é “a cassação de Eduardo Cunha”, você precisa saber se é esta a expressão que o internauta usa para procurar a notícia. Outras palavras-chave (ou grupos de palavras) que podem ser adicionadas à matéria podem ser cassação de mandato, cassação de deputado, Eduardo Cunha é cassado, e assim por diante.

Há muitas ferramentas (pagas e gratuitas) que podem te ajudar nesta definição. Uma delas é do próprio Google. O Google AdWords é o serviço de anúncios que aparecem na página de resultado do Google, também chamada de SERP. Dentro do AdWords há uma ferramenta chamada Keyword Planner. A partir dela você pode saber quantos usuários buscam por uma palavra e seus sinônimos.

Smart-Idea1Dica: jornalistas podem usar e abusar do Google Trends para pesquisar os termos mais pesquisados sobre um assunto, ou os assuntos mais buscados por região e tempo!

Google Trends mostra resultado para Eduardo Cunha e Waldir Maranhão

 

Title

Para jornalistas, esta parece ser fácil. Você deve estar pensando que title é o título da matéria, a manchete, certo? Também! Mas não é só isso. Na linguagem HTML, o title pode sim conter o título do conteúdo em questão, principalmente quando se trata de uma notícia, mas ele é na verdade o texto que aparece no topo do navegador, lá no alto da página. É este conteúdo que vai ser destacado na SERP pelo Google, como você pode ver nos exemplos abaixo. Um título condizente com o seu texto e com a palavra-chave definida no seu texto vai lhe garantir mais chances de aparecer na busca. O title deve conter entre 55 e 60 caracteres.

 

Exemplo de title em página e na pesquisa do Google

Exemplo de Title do site Globo.com

URL Amigável

A URL é o endereço digitado na barra do navegador e a segunda informação que aparece na página de resultados do Google. A URL também é muito importante em SEO e precisa ser clara. Alguns programas geram automaticamente números e caracteres diferentes ao criar uma URL, por isso é importante ficar de olho e personalizar o endereço para facilitar o trabalho dos buscadores.

Figura de uma url amigável e uma não amigável

Meta description

As meta tags são linhas de código HTML (linguagem usada para desenvolver sites) lidas pelo Google durante a busca. Já ouço seus pensamentos: “poxa, Elaine, você está maluca? Quer que eu estude HTML agora? Sou jornalista, de humanas, não nasci para virar programador!”. Também sou de humanas gente, mas não tenho vocação pra vender brinco de miçanga na praia (pelo menos por enquanto)! Você não precisa aprender a programar um site, nem passar horas estudando HTML. Hoje tem programas e aplicativos que fazem isso e pedem apenas para completar o conteúdo da meta tag. A meta descripition é uma das mais importantes. Ela é um resumo que o criador da página escreveu para que o buscador entenda rapidamente sobre o que é aquele site. Sabe aquela descrição que aparece logo abaixo do link encontrado na página de resultados? Pois é, ela é uma meta description. Se você não apontar uma meta description, o robozinho do Google vai escolher um trecho que ele considere importante no seu conteúdo e jogar lá. Nem preciso dizer porque esta informação ajuda a ranquear melhor, não é?

Exemplo de meta description no resultado do Google

Headings

Agora sim estamos falando dos títulos e subtítulos das matérias. Eles são descritos no código HTML como H1, H2 e assim sucessivamente até H6. Esta é também a ordem de prioridade que o buscador vai usar para determinar o conteúdo ou as palavras-chave mais importantes. Cada página deve ter apenas um H1, que é a manchete, o título mais importante, mas pode ter vários H2, ou H3. É importante usar a palavra-chave definida para o conteúdo no H1, assim como na descrição do primeiro parágrafo do texto.

Smart-Idea1Dica: para exercitar seu novo conhecimento em HTML você pode entrar no seu site, clicar na tela com o botão direito do mouse e clicar em exibir código de fonte da página. Assim pode procurar as meta tags, o title e outros elementos importantes para os buscadores.

Exemplo de leitura de html em página na internet

Imagens

As imagens, sejam elas fotos ou figuras, que ilustram seu texto, também precisam ser otimizadas. O peso da otimização das imagens no ranqueamento não é tão grande, mesmo assim vale a pena aplicar SEO nas imagens. Como você já viu no artigo I, o Google também “lê” as imagens e nós podemos facilitar este trabalho. Primeiro, certifique-se de que as imagens são de qualidade e não são muito pesadas. Estude o conceito de imagens digitais e suas medidas e aprenda a reduzir o tamanho dos seus arquivos para usa-los na internet sem perder a qualidade. Para ajudar o seu próprio trabalho, procure salvar o arquivo  com o nome correto. Nada de arquivos intitulados DSC0002.jpg ou fotoartigo2443.jpg! Deixe a preguiça de lado e dê um nome que identifique sua imagem. Você também pode definir o atribute title da imagem, que pode ser igual ao nome do arquivo, ou não.

ALT Text

Este é o atributo mais importante da imagem, que vai ajudar o Google a identificá-la. O ALT Text serve para descrever a imagem quando, por algum motivo, ela não carregou. Ele também orienta programas de leitura em áudio para deficientes visuais, a acessibilidade, outro fator importante de ranqueamento. Mas atenção – nem adianta dar uma de esperto e colocar apenas palavras-chave no título ou no texto alternativo – elas precisam descrever a imagem. Se você tem uma foto de banco de imagens de uma mulher pensativa na praia, a descrição tem que ser “mulher pensativa na praia”. A cada dia os buscadores ficam mais complexos e capazes de descobrir “trapaças”, o que pode gerar punições e eliminar seu site dos resultados da busca.

página de resultados do google para Curitiba geada

Imagens também pode ser privilegiadas na pesquisa do Google.

SEO OFF PAGE

Achou que estava fácil aparecer na página de resultados? É difícil afirmar com certeza, mas muita gente afirma que o SEO on page corresponde a 30% da estratégia de otimização. Os outros 70% vêm de fatores que não dependem exclusivamente de você, é o SEO off page. Claro que falando de notícias, se você trabalha para grandes portais, algumas técnicas dificilmente serão incorporadas  à sua rotina como as de on page. Mas quem tem um blog, vai precisar muita delas!

Basicamente, o SEO off page consiste na reputação do site, no que a internet fala de você fora das suas páginas. Para jornalistas, a compreensão das práticas off page são bem mais fáceis do que para outros profissionais. Explico: é como fazer assessoria de imprensa. O assessor precisa que a mídia fala de seu cliente, certo? E o que seria uma boa prática de assessoria de imprensa? Oferecer aos veículos conteúdo de qualidade para que eles tenham interesse em falar do seu cliente. SEO off page é exatamente isso.

Autoridade

Mede o nível de confiança do seu site, numa escala de 0 a 100. Fatores como a quantidade e qualidade dos links externos que trazem os visitantes para o site e as citações em mídias sociais contribuem para esta “nota”. Isso porque estes dados podem atestar, ou não, que o seu conteúdo é relevante para o público.

A autoridade pode ser medida em uma página (page authority) ou em um domínio (domain authority). Grandes sites de notícias como G1 e Terra, por exemplo, têm bons índices de autoridade. Já sites novos e com pouco audiência, geralmente não pontuam muito na escala de autoridade.

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Link building

Literalmente construção de links, o termo é polêmico entre muitos profissionais do marketing digital. Isso porque, assim como encher o conteúdo de palavras-chave já foi suficiente para ranquear no Google, encher a internet de links para o seu site já foi uma prática comum algum tempo atrás. Isso era feito apenas preenchendo formulários com o seu endereço online em diferentes sites na internet, para quantificar os links. Hoje, como você já deve imaginar, esta prática não é bem vista pelo Google. Um bom link building é feito com estratégia e links naturais.

É aí que entra o toque do jornalista, de duas formas: na divulgação do conteúdo na internet em forma de assessoria de imprensa, e na produção de conteúdo de qualidade, que vai naturalmente se propagar e ser divulgado por outros sites. Algumas matérias se espalham com mais facilidade. Por exemplo, quando aqui no Reinventa, nós fizemos um post sobre os profissionais que estão construindo a mídia livre no Brasil, nosso objetivo era trazer informação e conhecimento sobre essas pessoas. Meio sem querer querendo :p, usamos uma estratégia de SEO off page. Quando enviamos o material para os profissionais que faziam parte da lista, eles divulgaram o conteúdo em suas redes, fazendo com o que o nosso blog conquistasse links e, consequentemente, mais autoridade.

Em assessoria imprensa, quando você emplaca uma matéria em um veículo de grande audiência e reputação, seu cliente fica feliz. Assim é na internet: quanto mais confiável é o site que fala de você, melhor é a qualidade da indicação e melhor pode ser seu posicionamento nas buscas.

Mídias Sociais

A reputação nas redes sociais também pode influenciar o ranqueamento do site no Google. Embora o peso desta influência não esteja bem claro, conteúdos com bom engajamento e redes com alto número de fãs podem subir algumas posições na  página de pesquisas. Para isso é importante postar conteúdo relevante e ter posts otimizados, com boas imagens e títulos com palavras-chave que podem ser escaneadas pelos buscadores.

A estratégia do conteúdo nas redes sociais não é uma estratégia de SEO, mas pode ajudar. É só lembrar que links de posts do Facebook, Pinterest ou Instagram já aparecem nos resultados da busca do Google.

Estou no topo das buscas?

Ao contrário do que muita gente pensa, SEO não é a salvação da pátria, nem para o jornalismo, nem para o marketing digital. Em alguns sites de grandes veículos de comunicação, com audiência e credibilidade já estabelecidas, você vai notar que algumas técnicas de SEO nem mesmo são empregadas e ainda assim eles aparecem bem ranqueados. O que conta mesmo para que você seja conhecido na mundo digital é a qualidade do que você oferece, seja um produto, um vídeo, um texto, uma notícia ou um serviço.

Ilustração de uma uma menina no pódio

Apenas o SEO não é suficiente para te levar ao topo. É preciso oferecer conteúdo de qualidade.

A questão é que, a cada dia surgem mais e mais fontes de informação na internet, todas disputando a atenção do público. Por isso, facilitar a busca da sua audiência pode fazer a diferença em um universo tão concorrido como a internet. As regras de SEO nestes artigos são apenas uma parte do que você precisa saber e elas mudam constantemente. A grande dica é se atualizar sempre, estudar cada vez mais e manter a mente aberta para os conceitos que já transformaram e transformarão ainda mais nossa maneira de fazer jornalismo.

Se você quer ficar atualizado, aproveita e deixe seu e-mail abaixo. Vamos enviar conteúdo exclusivo e útil para ajudar você a reinventar sua carreira!

 

 

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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