Tempos líquidos para uns, início da era da consciência para outros.

Nada é mesmo feito para durar na atualidade. Eu não ousaria discordar do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor de Amor Líquido porque concordo, em parte, com ele. Das relações humanas, sobre o que o filósofo escreve a eletrodomésticos e simples objetos. Quanto tempo uma lâmpada dura sem queimar na sua casa? Já prestou atenção como tudo estraga mais rápido hoje? Não? Então, leia sobre a teoria da obsolescência programada, tem um vídeo simples na rede que também resume essa história. Mas o que uma coisa tem a ver com outra?

A raiz é a mesma, nosso modelo de vida o capitalista, esse nosso comportamento está ancorado aí, no velho hábito de consumir, comprar agora mais facilmente do que em qualquer outra época, adquirir, trocar, descartar, jogar fora. A base para sustentar quem está no topo da pirâmide e tem interesse na manutenção desse padrão. Que, claro, também afetou as relações. Bauman traduz como ninguém esse aspecto. Vejo que em parte, ou entre a maioria de nós, esse é mesmo o modelo de vida que predomina.

Post 1Mas este artigo não é para falar sobre as obras de Bauman, das quais gente muito mais qualificada para tal o fez, ou de como o modo que vivemos já foi pensado e a gente apenas executa. Este texto é para dizer ao máximo de pessoas possíveis que também já existe outro movimento, antagônico ao do mundo descartável, e baseado na consciência de uma existência com propósito. Observe que não sou espírita, para discorrer e relacionar esse comportamento ao que para eles é a Nova Consciência Planetária.

Conheço cada dia mais pessoas e convivo com gente que tem buscado com toda a força do coração mais sentido em tudo o que faz. Trocam o tão seguro e disputado serviço público pelo incerto, a carreira consolidada que sonhavam e acreditavam ser libertadora pelo arrojado, bem remunerados cargos executivos pelo lazer que virou profissão, entre outros numerosos exemplos. Cada caso tem suas particularidades, mas há algo em comum em todos: a busca por praticar o que faz sentido, ou o que dá prazer, permite viver, o que preenche a alma, que espalhe o bem, para cada um tem um nome. Em suma, contrariando ao que nos é pregado pela sociedade desde sempre, o Ter e acumular deixou de ser tão importante.

É aí que muitos de nós jornalistas esbarramos. Como exercer o que faz sentido para nós, exercitar o que acreditamos, nos veículos de comunicação, como estão organizados e comandados? Ou em empresas privadas que tem seus propósitos bem definidos, e o principal é faturar. Talvez essa seja uma das razões para o declínio do modelo, em curso no momento. Nada se mantém para sempre e aquilo que não é genuíno declina mais rápido, por mais que as forças que o sustentem sejam poderosas. Ou então, como fazer o que se acredita e quer multiplicar pelo mundo, ser independente e monetizar para, ao menos, ter uma vida digna?

holding-earth-1-1414853O desafio é gigantesco, só menor do que a conquista de atingir esse objetivo. O que me instiga e inebria é que se buscarmos partirmos para a ação, encontraremos o caminho. É só começar, comunicadores também podem fazer parte deste “time consciente”. Penso inclusive que para nós jornalistas esse caminho é natural, já escolhemos a profissão justamente pensando em ajudar a humanidade.

Pois se cada vez mais e mais pessoas estão preocupadas em fazer de suas atividades e vida algo maior, que deixe um saldo positivo neste planeta e boas contribuições para a humanidade, só me faz crer, como otimista inveterada que sou que estamos sim ingressando numa nova era. Não apenas o fazer por fazer, porque é assim que alguém disse que tem de ser, ou só para ganhar dinheiro e prestígio. Tem de ter um algo a mais, que faça sentido, que ajude a construir um mundo melhor, ou pelo menos, um EU MELHOR.

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ViRachinski

Inconformada com o conformismo...empenhada em evoluir...adora discutir, no melhor sentido da palavra. Filha de Ivo sábio e Diva guerreira, mãe de Francisco, só o nome já explica. Jornalista, montanhista e em busca de novas trilhas!!!

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Comentários

  1. Lucas Fernandes disse:

    Viviane. Gostei muito das palavras: “otimista inveterada que sou que estamos sim ingressando numa nova era. Não apenas o fazer por fazer, porque é assim que alguém disse que tem de ser, ou só para ganhar dinheiro e prestígio. Tem de ter um algo a mais, que faça sentido, que ajude a construir um mundo melhor, ou pelo menos, um EU MELHOR”. Creio também que cada um tem seu caminho, seja ele perto ou longe do jornalismo, basta a gente ousar e transformar! O novo ‘querer’ pode até estar em outros campos, como na gastronomia ou na música. O importante é manter a mente aberta e procurar sempre novas possibilidades para o nosso EU. Um beijo, boa sorte e sucesso!!!

    1. ViRachinski disse:

      Com toda certeza Lucas, e a verdade é que você continuará comunicando sua essência seja na música ou na gastronomia… O que importa é realmente é ter sentido no que fazemos. Você captou por inteiro minha mensagem. Grande beijo, muito sucesso e principalmente alegria e brilho nos olhos todo dia!