Uma ideia não vale nada

Verônica

Verônica Machado

Como jornalistas podem realizar projetos com mais autonomia

Já faz seis anos que deixamos de escrever ideia com acento e ainda tem jornalista que reclama do novo acordo ortográfico. Isso é só um exemplo de como nós, profissionais da comunicação, somos apegados a antigos formatos e padrões. E é contra esse apego que a atriz e jornalista Verônica Machado está lutando. Nossa história de hoje no Reinventa é mais do que uma inspiração, é um tapa na cara de quem reclama, mas continua inerte na profissão.

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Verônica Machado

Com apenas 25 anos, Verônica tem três projetos autônomos no currículo. Natural de Brasília, ela trabalhou três anos na redação do maior jornal da capital federal, o Correio Braziliense. Em 2013, uma reviravolta na vida pessoal acabou incentivando uma necessidade profissional: aprender inglês. Durante o curso de inglês, no Canadá, Verônica ajudou a mãe a realizar o sonho de montar uma empresa no ramo de alimentação. Quando voltou ao Brasil, trabalhou por um tempo no negócio da família, o que foi suficiente para despertar a vontade de empreender.  “Depois que voltei, eu queria entender melhor como funcionava um negócio. Por isso fui fazer pós em marketing digital.”

Foi uma fase difícil. Ela não queria voltar pro jornal, mas também não queria mais trabalhar para um sonho que não era dela. “Eu não sabia do que eu gostava e minhas ideias não cabiam mais na redação do jornal. Todo mundo tinha um talento, menos eu.” A dificuldade trouxe a reflexão e uma resposta: o talento de Verônica, como devia ser o de todo jornalista, era contar histórias. Ela fez isso como atriz, e também como repórter. “Pensei muito em algo me que dava tesão, que me arrepiava a espinha quando eu fazia. E era isso. Era físico, meu coração bate, minha respiração fica intensa. O que eu mais amo fazer é ouvir e contar histórias.”

Assim nasceu o Vidas Contadas, um projeto que narra histórias de vida em vídeo. “Tive a ajuda de outras pessoas também, principalmente na parte técnica. Mas depois do quinto vídeo o dinheiro acabou. E eu não sabia o que fazer”. Esses são momentos decisivos para um empreendedor: ou você desiste de tudo, ou você insiste até encontrar uma solução. E no caso de Verônica, muita gente já perguntava quando ela ia voltar para o mercado trabalho, arrumar um emprego e ganhar dinheiro. “O jornal me chamou de volta e eu tive que ser muito corajosa pra dizer não, não quero voltar para o mercado formal.”

Alguém levantou a ideia do tal financiamento coletivo (ou crowdfunding), mas ela não imaginou que pudesse dar certo. “Eu pensei, quem vai abrir a carteira para minhas loucuras?”, brinca Verônica. 37 pessoas abriram. Em quarenta dias de campanha, pela plataforma Catarse, ela arrecadou o suficiente para produzir uma nova série de oito vídeos. Foram 4 mil reais, usados para equipamentos e para a produção das gravações.

Verônica Machado

Verônica Machado

Veja neste link a página da campanha de arrecadação do Vidas. Quem sabe você não se inspira e faz o seu?

Com os oito vídeos publicados, começou um novo período de incertezas. “Eu tinha trabalho para dois meses. No terceiro mês, eu não sabia o que seria. Mas eu tinha que fazer.” Foi aí que começaram a aparecer os frutos do projeto. Ela foi chamada para uma entrevista no jornal e depois para palestras em escolas. Em uma destas palestras surgiu o Vida Além da Redação, projeto concebido em parceria com a jornalista Guaira Flor, que nós já mostramos no Reinventa Jornalista.

A nova temporada do Vidas Contadas ganhou apoio do Centro Universitário de Brasília e do Guia BSB. A série de vídeos chama-se Jovens Empreendedores e já está fazendo sucesso. “O apoio do Uniceub vai trazer alcance para essa fase do Vidas. O dinheiro não é tudo em um projeto. Aliar-se a uma marca grande, com credibilidade, também é importante”, explica Verônica. Ela ainda está buscando um forma saudável de monetizar o projeto, que é sua menina dos olhos. “Eu não vou desistir, porque existem várias formas de rentabilizar. Eu quero uma que não diminua minha autonomia. Eu quero escolher que histórias vou contar e como vou conta-las”.

Vidas Contadas - Reinventa Jornalista

No começo do post, eu falei de três projetos, certo? O terceiro e mais recente soma esforços com o Reinventa na transformação da carreira dos jornalistas. É o Jornalista 3.0. O site quer falar de jornalismo com propósito e lembrar os profissionais da comunicação que eles são contadores de histórias. “Jornalista virou uma máquina de escrever notícias. Personagem é item obrigatório. Ele precisa arrumar um para fechar aquela matéria logo e ir embora. Muitos estão infelizes e frustados com esta rotina.”

Verônica já esta preparando cursos on-line para ensinar os profissionais a usarem a internet para realizarem seus projetos. Sabe aquela ideia brilhante que você teve um tempo atrás e deixou na gaveta? A internet pode te ajudar a coloca-la em prática. Basta dar o primeiro passo e se livrar do bloqueio mental do medo. “Se você tem uma ideia, pega e joga no lixo. Porque ela só vale alguma coisa quando você constrói, conclui, torna essa ideia concreta.”, lembra a jornalista.

Webinário para jornalistas

O primeiro passo desse caminho para realizadores já começou com a série de webinários gratuitos para jornalistas. Se você gostou da história da Verônica e quer realizar algo na sua vida, aproveite e comece assistindo aos webinários. É como se fosse um seminário, com palestras e interação do público, mas em vez de alugar sala, projetor, microfones e se deslocar até lá, basta acessar a internet. É de graça e não precisa nem sair de casa. Nós do Reinventa, também vamos participar e esperamos você lá para aprender e realizar com a gente!

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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