Velha mídia em crise? Demissões em massa? Corre jornalista!

Jornalista quase nunca é manchete nos veículos de comunicação, a não ser quando morre arriscando-se atrás da notícia. Desculpem a franqueza logo de início, mas é a realidade. No mais, não tem vez nem espaço nem mesmo na luta pelas próprias causas. Tanto que aspirar uma negociação justa com o patrão nos dissídios coletivos virou até piada, “mas e se fizermos greve quem vai noticiar nossa mobilização?”. Além da desvalorização, direitos cada vez mais ameaçados, incluindo o mais importante deles a exigência do diploma, e redações cada vez mais enxutas, o que piora a cada ano, as empresas de comunicação estão demitindo como nunca vimos antes.

Nos últimos anos e principalmente agora, ver o profissional da comunicação nas páginas dos noticiários, principalmente da internet, tornou-se comum. O pior é o motivo dos destaques: demissão em massa!

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De acordo com dados da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, só até o final de setembro foram quase 1.000 demissões em massa, de jornalistas. Ou seja, esse número representa apenas as dispensas feitas em grande número, de uma só vez. As admissões e demissões de rotina computadas pelo Ministério do Trabalho do ano de 2015 ainda não estão incluídas nestes dados. O total no final do ano será muito maior. O número de jornalistas demitidos até setembro já é maior do que o número de demissões dos últimos três anos. Veja abaixo na tabela e no infográfico:

TABELA DEMISSÕES JORNALISTAS:

ANO DEMISSÕES ADMISSÕES SALDO DEMISSÕES
2015      –      – 916 *em massa
2014 12.630 12.402 228
2013 13.597 13.500   97
2012 13.795 13.939 144

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*fonte: FENAJ

A Fenaj atribui o ano atípico no setor à crise econômica e afirma que a grande mídia está sim em profunda recessão. Para José Carlos Torves, relações institucionais da Federação, o principal problema é o péssimo jornalismo praticado no país. “Acho que estamos vivendo uma crise das empresas jornalísticas, eternamente mal geridas e praticando um mau jornalismo, achando que podem fazer jornalismo sem jornalistas. Perda da credibilidade, enfim são fatores que contribuem para o atual momento”, afirma. Mas o jornalista também alerta para um importante indício, as empresas de comunicação ainda não conseguiram explorar economicamente as mídias digitais.

Há outros agravantes, pesquisas também apontam esse atraso da grande mídia. Um estudo do Ibope Media, divulgado em agosto passado, mostra que o faturamento com anúncios publicitários nas TVs abertas, jornais, revistas e rádios somados caiu 8,5% no primeiro semestre de 2015 no Brasil. Segundo a pesquisa, o meio mais atingido foi o de revistas, com queda de 20,9% na publicidade, seguido pelas rádios (-10,2%) e jornais (-9,7%). A TV aberta teve redução de 7,2%. O Ibope não apurou se as empresas reduziram o número de anúncios ou negociaram preços menores, o fato é que fizeram cortes drásticos nesse tipo de propaganda. Enquanto isso, o investimento publicitário na internet crescerá 15% em 2015 no país, segundo estimativa do Interactive Advertising Bureau (IAB) Brasil, o que representa um volume total de R$ 9,5 bilhões em investimentos.

Esses números consolidam a internet como a segunda principal mídia no Brasil, atrás apenas da TV aberta. Na última pesquisa, “Brasil Conectado – Hábitos de Consumo de Mídia” também do IAB, a internet já era a principal mídia entre os brasileiros conectados. O estudo mostrou que 9 entre 10 brasileiros (87%) considera o meio muito importante, contra um pouco mais da metade (54%), que considera a TV muito importante. Segundo a pesquisa feita em parceria com a comScore, a internet já era considerada o meio mais importante para 82% dos entrevistados conectados em 2012. E naquele ano eram 80 milhões de internautas. Em 2014, de acordo com o instituto Nielsen Ibope já somos 120 milhões de brasileiros conectados à internet, considerando os acessos frequentes e esporádicos. No mesmo mês o Brasil tinha 202,8 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE.

Esse cenário precisa ser minuciosamente debatido. Que análise pode-se fazer dessa dificuldade em faturar com as novas mídias? Por que a publicidade está migrando para as mídias digitais? A velha mídia não está dando atenção e valor necessários às mídias digitais? Não está investindo como deveria nessas áreas? Tem profissionais preparados, atualizados, dominando essas ferramentas? Ou é simplesmente um caminho, uma transformação natural? Sejam essas ou mais causas, o fato é que ambos, empresas e jornalistas, estão passando por imensas dificuldades. Organizações consolidadas perdendo audiência e faturamento, e trabalhadores perdendo seus empregos.

Fim da linha ou oportunidade para recomeçar? O que podemos observar e aprender com essas importantes mudanças é que o dinheiro está saindo da velha mídia e migrando para as mídias digitais. Logo, o jornalista só tem um caminho a seguir, neste momento: dominar as mídias digitais! Seja para ajudar a reerguer os tradicionais veículos, seja para vislumbrar novos horizontes e obter bons resultados.

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ViRachinski

Inconformada com o conformismo...empenhada em evoluir...adora discutir, no melhor sentido da palavra. Filha de Ivo sábio e Diva guerreira, mãe de Francisco, só o nome já explica. Jornalista, montanhista e em busca de novas trilhas!!!

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