Vida além da redação: você acredita?

Guaíra Flor - Criadora do blog vida além da redação

Guaíra Flor – Criadora do blog vida além da redação

Você acredita em vida além da redação?

É com este tema que duas jornalistas de Brasília estão levando muitos colegas a refletir sobre o futuro da nossa carreira. O blog Vida fora da redação explora as alternativas ao trabalho nas mídias tradicionais e já conquistou os colegas que desejam empreender ou simplesmente mudar. Idealizado por Guaíra Flor e Verônica Machado, o projeto segue uma linha bem parecida com a do Reinventa Jornalista! Por isso, estamos unindo forças em prol desta causa tão nobre que é o jornalismo e vamos contar aqui um pouco mais sobre como pode ser a vida fora da redação.

A história

Elas são profissionais de gerações diferentes, mas com um propósito em comum: o amor ao jornalismo e suas vertentes. Guaíra é professora de jornalismo e tem mais de cinco anos de experiência em redação, a maior parte no Correio Braziliense. Também é especialista em inovação digital pela ESPM e mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília. Passou ainda por rádio e assessoria de imprensa. Pesquisadora dos impactos das novas tecnologias de informação e comunicação no jornalismo, Guaíra, que já é empresária, resolveu empreender na internet e lançou o Vida fora da Redação. “No meu primeiro passaralho eu percebi que o jornalista não tinha mais longevidade. Antes tinha um passaralho a cada três anos, hoje tem todo o ano. Quando o profissional chega aos 48, 50 anos e passa a ter mais experiência, muita qualidade e um salário mais alto, ele é cortado, porque fica muito caro para a empresa. Enquanto profissionais de outras áreas estão no auge, o jornalista entra em declínio”, explica Guaíra.

Verônica Machado

Verônica Machado – co-criadora do blog Vida além da redação

Já Verônica, se considerava foca na redação do Correio, onde ficou por três anos. Jovem, sempre esteve alinhada com a internet e quando conheceu Guaíra, abraçou junto a causa e participou de toda a concepção do site. Verônica já tinha outros projetos e ao deixar a redação de um grande jornal para empreender na internet, precisou de coragem para encarar o susto e a incompreensão das pessoas. “Sofri muito preconceito dos meus colegas quando resolvi empreender. Disseram que eu era maluca. Acho que nós, jornalistas, temos muito apego ao modelo antigo de impresso. Precisamos mudar isso”, reflete a jornalista. Depois de conhecer muitos profissionais infelizes com os baixos salários, a falta de autonomia e a rotina frenética das redações, ela se especializou em marketing digital e partiu para novos caminhos. “Jornalista tem dificuldade de encarar capacitação, tem horror a marketing e publicidade. E é incrível unir marketing e jornalismo, e adquirir novas habilidades.” A brasiliense parte para a segunda etapa dos seus projetos próprios, um deles, financiado por crowdfunding, sobre o qual vamos contar em breve aqui no Reinventa.

O blog

Depois de sair da mídia tradicional, as duas perceberam que a internet ainda era encarada como vilã por muitos jornalistas e decidiram que que era hora de mudar esta realidade e ajudar. Era preciso mostrar para quem não estava contente, que existem outras opções. “O vida fora da redação não quer que as pessoas necessariamente saiam da redação. Nossa missão é ajudar o jornalista a trabalhar mais satisfeito e feliz, seja empregado, seja como empreendedor. O jornalista precisa ter mais qualidade de vida e voltar a ter prazer no trabalho”, explica Guaíra. Lançado há poucos meses, o blog conta belas histórias de jornalistas que estão construindo novas realidades, como a Conceição Freitas. Vencedora de um prêmio Esso, ela tem um blog e uma banca de jornais. Deixou a redação depois de mais de vinte anos e está feliz da vida descobrindo um novo jeito de fazer jornalismo! A revista eletrônica AzMina, publicação feminista de Nana Queiroz, também deu entrevista ao projeto. O blog já está recheado de inspiração e boas histórias!

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Prática

Mas nem só de inspiração vive um projeto jornalístico. Além de contar histórias, o Vida Fora da Redação também quer ensinar os jornalistas que estiverem dispostos a aprender e mergulhar nesse universo online. “Nós queremos propor uma transformação. A nossa parceria é uma troca de geração, uma combinação de razão e sensibilidade. Vamos continuar trazendo informação, cursos digitais, vamos falar em como monetizar e aprender a usar as ferramentas certas para a internet”, reforça Guaíra.

Elas já colocaram à disposição no blog o e-book “20 provas de que existe vida fora da redação” e também um guia com diferentes modelos de negócio para o jornalismo independente. O material já teve centenas de downloads, comprovando que tem muita gente interessada em mudar. “Existe um risco, claro que sim. Empreender envolve riscos. As pessoas não sabem o quanto é difícil empreender e encontrar autonomia. Mas é muito bom ser livre, se sentir realizado, não ter amarras,” diz Verônica.

Reflexão

Ainda não temos no Brasil a cultura do empreendedorismo. Tanto no Sul quanto no Centro-Oeste, quem resolve arriscar em algo novo frequentemente é incompreendido. Por isso muitos jornalistas que sonham em alçar voos mais altos, são bloqueados por receio dos julgamentos, pela falta de apoio e pelo medo de falhar. Para Guaíra, que começa a tocar o blog sozinha, o fracasso é estigmatizado pela nossa cultura. “Fracassar é tido como algo ruim, mas na verdade não é. Porque é com os erros que nós vamos aprender como fazer certo. O fracasso, ou o erro, é apenas o primeiro passo.” Como professora de jornalismo, ela percebe que a nova geração está mais ligada na tecnologia e mais aberta para novidades. “Eu tento mostrar aos meus alunos que o jornalismo pode ser diferente do que vemos hoje nos jornais, é mais profundo do que isso. Não é fácil, mas eles são bem criativos e tem muita capacidade”, conta.

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Verônica convida os jornalistas a repensarem o conteúdo usando uma palavra-chave no mundo digital: valor. “Hoje precisamos entregar valor à audiência, o conteúdo precisa ajudar as pessoas de alguma maneira. Talvez esse seja o grande vilão das mídias tradicionais. Será que elas entregam valor?”, questiona Verônica. “Precisamos nos conectar com nosso público, entender o que eles precisam, o que interessa para eles. E a internet permite isso.”

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Guaíra Flor

A tecnologia não precisa ser a malvada da história, que vai acabar com as mídias tradicionais e tirar o emprego dos jornalistas. Sites, blogs e redes sociais podem e devem trabalhar a nosso favor. E você? Acredita que o jornalista pode empreender na internet? Deixe seu comentário e continue acompanhando o nosso blog! Logo teremos mais novidades por aqui!

About The Author

elainenwzorek

Sou amante de mudanças. Seja pra mudar de país ou pra mudar o lado da cama, estou dentro. Adoro contar histórias e ouvi-las também. Adoro mudar de opinião quando os argumentos me convencem. Amo jornalismo, fotografia, inglês, inspiração, vida e pessoas. Amo Guinness. Amo aprender, sempre!

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